100 anos de Amália

Amália Rodrigues

Amália Rodrigues nasceu com as Cerejas há 100 anos!

Faz hoje 100 anos desde o nascimento da figura maior da cultura portuguesa do século XX, referência e símbolo da portugalidade, fadista de voz irretorquível no mundo quase inteiro que percorreu, Amália Rodrigues.

100 anos de amalia
Público concentrado em 1967 frente ao Olympia, em Paris, para mais um espetáculo de Amália na mítica sala onde triunfou nos anos 50 e onde voltaria várias vezes

De seu nome Amália da Piedade Rebordão Rodrigues, é originária de família da Beira Baixa, mas nasceu em Lisboa, em 1920, na Rua Vaz Martins, Freguesia da Penha.

A sua carreira iniciou-se em 1939 no «Retiro da Severa», com grande êxito, tendo ascendido rapidamente ao primeiro plano artístico, como cantora de fado mais representativa da sua geração e a maior de sempre.

O seu currículo, de tão extenso, é praticamente impossível de referir. Lembraremos, no entanto, que participou em milhares de espetáculos em Portugal e no estrangeiro, tendo a sua voz chegado praticamente a toda a parte do mundo em atuações diretas, por vezes de grande impacto e que entrou em vários filmes, um dos quais em França (Véronique).

Em Paris, foi supervedeta no «Olympia», no «Studio» dos Campos Elísios e no «Bolinot»; atuou com enorme êxito no «Copacabana», do Rio de Janeiro, no teatro Nacional de Moscovo, e em Londres, Tóquio e todas as grandes capitais do mundo.

Na televisão trabalhou ao lado de artistas como Bob Hope, Arturo de Cordova, Frank Sinatra, Cantinflas, e Eddie Cantor; atuou na rádio Brasileira (Rádio Globo e Rádio Tupi) na BBC de Londres, na Rádio Nacional de França, na cadeia norte-americana de TV e na CBS, etc., etc,

 

«Fui vivendo, fui apanhando, sentindo, passando por várias coisas. É como uma árvore que se planta, cresce, fica diferente, depois dá fruto. Mas a base, o carácter das pessoas, nasce com elas.»
Amália Rodrigues

 

Vídeo de: О Фаду по-русски с Rosabranca. Московский Дом Фаду

Eduardo Malta retratou-a num belo óleo; possuía várias condecorações, incluído a ordem de Santiago; ganhou dois Prémio da Imprensa e, entre distinções que recebeu, salienta-se o «IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana» de 1975, o «Palmarés do Grande Prémio do Disco» no ano seguinte, o «Grande Prémio de Paris» e o «Superstar» alemão.

A vida de Amália no período salazarista foi, após o 26 de Abril, objeto de muita especulação, nem sempre justa.

Mas recordemos a suas singelas palavras no decurso de uma entrevista concedida à revista «Mulher» em Janeiro de 1976:

«(…) Eu era mesmo pobre. Sem sapatos, andava descalça e ao frio, de camisolas rotas, umas por cima das outras, porque umas tapavam os buracos das outras. Aliás, fui também uma criança sem brinquedos.»
«Sim, fui à escola, mas, por um triz, estive para nunca lá ir porque ajudava a minha avó, com quem vivia. Assim, cheguei à escola com quase nove anos e tive apenas hipótese de fazer a instrução primária. Mais nada.»
«Não, nunca vendi violetas (…) Quando sai da escola, fui para aprendiza de lavadeira, mas, como passava muito bem a ferro, punham-me todo o dia ao ferro e não aprendi nada. Trabalhava das 9 às 18, ganhando dois escudos por dia (…) Depois mudaram-me para costureira de alfaiate; passava os dias a entrelar e dali não saía. Isto intercalado com trabalhos em fábricas onde descascava ervilhas e marmelos, de empreitada.»

Veja hoje 100 guitarras a tocarem juntas para os 100 anos de Amália na RTP

 

Fontes:

nº 35 da Revista o Moralista – Novembro 1999

Fotobiografias Século XX | Amália Rodrigues – Agosto 2008

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