Amália Rodrigues nasceu com as Cerejas há 100 anos!
Faz hoje 100 anos desde o nascimento da figura maior da cultura portuguesa do século XX, referência e símbolo da portugalidade, fadista de voz irretorquível no mundo quase inteiro que percorreu, Amália Rodrigues.

De seu nome Amália da Piedade Rebordão Rodrigues, é originária de família da Beira Baixa, mas nasceu em Lisboa, em 1920, na Rua Vaz Martins, Freguesia da Penha.
A sua carreira iniciou-se em 1939 no «Retiro da Severa», com grande êxito, tendo ascendido rapidamente ao primeiro plano artístico, como cantora de fado mais representativa da sua geração e a maior de sempre.
O seu currículo, de tão extenso, é praticamente impossível de referir. Lembraremos, no entanto, que participou em milhares de espetáculos em Portugal e no estrangeiro, tendo a sua voz chegado praticamente a toda a parte do mundo em atuações diretas, por vezes de grande impacto e que entrou em vários filmes, um dos quais em França (Véronique).
Em Paris, foi supervedeta no «Olympia», no «Studio» dos Campos Elísios e no «Bolinot»; atuou com enorme êxito no «Copacabana», do Rio de Janeiro, no teatro Nacional de Moscovo, e em Londres, Tóquio e todas as grandes capitais do mundo.
Na televisão trabalhou ao lado de artistas como Bob Hope, Arturo de Cordova, Frank Sinatra, Cantinflas, e Eddie Cantor; atuou na rádio Brasileira (Rádio Globo e Rádio Tupi) na BBC de Londres, na Rádio Nacional de França, na cadeia norte-americana de TV e na CBS, etc., etc,
«Fui vivendo, fui apanhando, sentindo, passando por várias coisas. É como uma árvore que se planta, cresce, fica diferente, depois dá fruto. Mas a base, o carácter das pessoas, nasce com elas.»
Amália Rodrigues
Vídeo de: О Фаду по-русски с Rosabranca. Московский Дом Фаду
Eduardo Malta retratou-a num belo óleo; possuía várias condecorações, incluído a ordem de Santiago; ganhou dois Prémio da Imprensa e, entre distinções que recebeu, salienta-se o «IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana» de 1975, o «Palmarés do Grande Prémio do Disco» no ano seguinte, o «Grande Prémio de Paris» e o «Superstar» alemão.
A vida de Amália no período salazarista foi, após o 26 de Abril, objeto de muita especulação, nem sempre justa.
Mas recordemos a suas singelas palavras no decurso de uma entrevista concedida à revista «Mulher» em Janeiro de 1976:
«(…) Eu era mesmo pobre. Sem sapatos, andava descalça e ao frio, de camisolas rotas, umas por cima das outras, porque umas tapavam os buracos das outras. Aliás, fui também uma criança sem brinquedos.»
«Sim, fui à escola, mas, por um triz, estive para nunca lá ir porque ajudava a minha avó, com quem vivia. Assim, cheguei à escola com quase nove anos e tive apenas hipótese de fazer a instrução primária. Mais nada.»
«Não, nunca vendi violetas (…) Quando sai da escola, fui para aprendiza de lavadeira, mas, como passava muito bem a ferro, punham-me todo o dia ao ferro e não aprendi nada. Trabalhava das 9 às 18, ganhando dois escudos por dia (…) Depois mudaram-me para costureira de alfaiate; passava os dias a entrelar e dali não saía. Isto intercalado com trabalhos em fábricas onde descascava ervilhas e marmelos, de empreitada.»
Veja hoje 100 guitarras a tocarem juntas para os 100 anos de Amália na RTP
Fontes:
nº 35 da Revista o Moralista – Novembro 1999
Fotobiografias Século XX | Amália Rodrigues – Agosto 2008
